<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Procrastinador Profissional &#187; relações</title>
	<atom:link href="http://www.cafeina.org/ed/tags/relacoes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.cafeina.org/ed</link>
	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Jan 2012 03:24:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Catálogo de pensamentos</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2011/11/catalogo-de-pensamentos/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2011/11/catalogo-de-pensamentos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 22:28:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Cafeína]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>
		<category><![CDATA[web]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=444</guid>
		<description><![CDATA[O Thought Catalog tira-me constantemente as palavras da boca e da ponta dos dedos. Apenas nas últimas horas, dois exemplos, aos quais dou o meu comentário pessoal sem acrescentar nada ao que estava lá escrito: 1. Um artigo em que o autor pede encarecidamente às pessoas com quem começa a travar amizade que o avisem atempadamente se [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2011/11/catalogo-de-pensamentos/">Catálogo de pensamentos</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a class="vt-p" href="http://thoughtcatalog.com/">Thought Catalog</a> tira-me constantemente as palavras da boca e da ponta dos dedos. Apenas nas últimas horas, dois exemplos, aos quais dou o meu comentário pessoal sem acrescentar nada ao que estava lá escrito:</p>
<p>1. Um artigo em que <a class="vt-p" href="http://thoughtcatalog.com/2011/please-dont-hang-out-with-me-if-you-have-a-boyfriend/">o autor pede encarecidamente às pessoas com quem começa a travar amizade que o avisem atempadamente se tiverem namorado</a>. Estando essa situação longe de ser exclusiva do mundo <em>gay</em> a que o autor se reporta, dei por mim a concordar tanto que daqui envio um abraço sentido ao Ryan O&#8217;Connell. Quantas vezes não senti esse mesmo súbito embaraço perante a súbita menção, por parte de uma mulher com a qual achava que as coisas poderiam estar a ter uma evolução favorável, de um namorado ou (talvez pior) do seu enorme interesse noutro tipo qualquer? Que raio?! Vejamos: a minha perspectiva sobre alguém que esteja a começar a conhecer é a perspectiva de um homem heterossexual solteiro; não é, de todo, a perspectiva de um eunuco fraterno. Longos <em>chats</em>, trocas de mensagens, e um ou dois encontros para café, com que propósito? Se for pretendido como amigo, é provável que vá ouvir muitos desabafos sobre o tal namorado, portanto mais vale assumir a sua existência dele desde o início - se sentir essa empatia serei amigo de qualquer forma.</p>
<p>2. Também do Ryan O&#8217;Conell (que parece ser, em termos de monopólio sobre a produtividade, o NiceGuyEddie lá do sítio), um artigo <a class="vt-p" href="http://thoughtcatalog.com/2011/dont-wake-up-alone-on-a-saturday-morning/">sobre o acordar sozinho ao Sábado de manhã</a> e reflectir na futilidade de tudo o que fizemos durante a semana, na total ausência de uma progressão nas nossas vidas. Concedo que não há nada como ser solteiro para dar largas ao niilismo: todo o trabalho, todas as dores de cabeça &#8211; o eu estar aqui neste momento num café onde na mesa ao lado as pessoas não conhecem a etiqueta básica de cortar o som aos seus portáteis enquanto vêm vídeos &#8211; servem para quê? Qual o propósito de cada dia? Para provavelmente acordar sozinho no próximo Sábado; para ir sobreviver até ao seguinte, e até ao seguinte, tentando que pelo meio algo aconteça que mude a situação e me torne um pouco menos dependente da leitura de blogues como o Thought Catalog e dos desabafos de amigos e amigas para perceber que todos estamos no mesmo barco, e temos este tipo de pensamentos.</p>
<p>E vai daí, em vez de estar aqui a redizer aquilo que li com as minhas palavras &#8211; porque é aquilo que de facto penso -, direi apenas que o Thought Catalog no fundo é aquilo que eu queria que o <a class="vt-p" href="http://www.cafeina.org/">Cafeína</a> tivesse sido (daí ter mencionado o meu antigo <em>nickname</em>), mas que fui totalmente inábil (e imaturo demais) para conseguir.</p>
<p>E pronto. Ide.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2011/11/catalogo-de-pensamentos/">Catálogo de pensamentos</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2011/11/catalogo-de-pensamentos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da Incompletude</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 01:14:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bater Maleiro]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=294</guid>
		<description><![CDATA[Não sou uma pessoa completa. Ou sequer, um homem completo. Durante a maior parte da minha existência, desde que me lembro, sinto-me como se padecesse de uma estranha condição que faz de mim 90% opaco. Se do outro lado a luz for suficientemente forte, será possível ver através de mim. Se assim for desejado por [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/">Da Incompletude</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou uma pessoa completa. Ou sequer, um homem completo. Durante a maior parte da minha existência, desde que me lembro, sinto-me como se padecesse de uma estranha condição que faz de mim 90% opaco. Se do outro lado a luz for suficientemente forte, será possível ver através de mim. Se assim for desejado por quem me vê, torno-me numa percepção fantasma &#8211; desapareço, vá.</p>
<p>Existem outras metáforas que poderia utilizar para descrever este sentimento, mas esta será a melhor. Para lá deste persistente estado de alma, os diversos indicadores indicam incompletude aos mais variados níveis: fraco capital económico, apesar de nada dever; fraco capital político; fraco capital erótico; talvez algum capital cultural, mas por esse ninguém se interessa realmente. Falta-me dinheiro, falta-me poder, falta-me companhia (de diversos géneros), e portanto tenho tempo de sobra para ler. Onde quero chegar é: incompletude. No que toca a ser um <em>self-made man</em>, ainda estou a desdobrar as instruções do <em>kit</em>.</p>
<p>Mas chega de auto-comiseração: não acredito que alguma vez algum ser humano tenha sido <em>completo</em> no sentido ocidental-comercial da palavra. Buda atingiu o Nirvana, mas arruinou as finanças familiares. Atingir a Fachada, no entanto, parece que será tudo o que basta hoje em dia.</p>
<p>Assumo portanto, que nada tenho mais para oferecer que um <em>Kit de pessoa </em>ou uma personalidade liofilizada (como o seu quê de produto ACME). Terei de ser levado ao alfaiate para ajustes. Se uma mulher me demonstra acreditar &#8211; esperar &#8211; um parceiro completo (ou talvez, uma <em>solução integrada</em>, um <em>pack</em>, um <em>pronto-a-vestir</em>), desilude-me. Deixar-me-à em breve, porque haverá sempre alguém a parecer mais completo do que eu, dependendo da luz: as fachadas, regra geral, parecem opacas.</p>
<p>Mais construtivismo, abaixo os capitalismos!</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/">Da Incompletude</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/11/da-incompletude/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Private jokes e discursos íntimos</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 21:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ed]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=234</guid>
		<description><![CDATA[Existe um deus chamado Bruce. Não é um deus bondoso, nem maligno. É apenas Bruce, uma trindade: Nauman é a Luz (fluorescente). Mau é o design, o planeamento, e de certo modo a ACME das nossas vidas. E Lee, Bruce Lee, é a porrada que a vida nos dá. Existe ainda um semideus, Bud, o humor com que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/">Private jokes e discursos íntimos</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um deus chamado Bruce. Não é um deus bondoso, nem maligno. É apenas Bruce, uma trindade: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Nauman">Nauman</a> é a Luz (fluorescente). <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Mau">Mau</a> é o <em>design</em>, o planeamento, e de certo modo a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Acme_Corporation">ACME</a> das nossas vidas. E Lee, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee">Bruce Lee</a>, é a porrada que a vida nos dá. Existe ainda um semideus, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bud_Spencer">Bud</a>, o humor com que devemos encarar as coisas, sobretudo essa porrada que a vida nos dá.</p>
<p>Tal é a religião, estilo <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spaghetti_monster">Spaghetti Monster</a></em>, desenvolvida com uma amiga ao longo de muitas tardes de preguiça. Um de nós dirá <em>&#8220;hoje Lee presidiu&#8221;</em> e o outro dará o ombro, perguntará o que aconteceu. <em>Bruce</em> é um fragmento de uma linguagem íntima de que nós somos os únicos faladores. Surgiu espontaneamente, nunca nos sentámos e dissemos <em>&#8220;vamos inventar uma religião parva&#8221;.</em> São apenas metáforas que surgiram naturalmente no nosso discurso, evidências de entendimento e intimidade, tais como são as referências a <em>Seinfeld</em> ou a Smiths (<em>&#8220;foi um plano à George&#8221;</em>; <em>&#8220;ainda levo com o double-decker&#8221;</em>). Nunca teriam feito sentido se não conhecessemos e admirássemos Nauman e Mau; se não tivessemos crescido com os filmes de Lee, e com os de Bud e Terence Hill.</p>
<p>A linguagem da intimidade é construída. Pelas experiências e conversas comuns; e sobretudo pelos Momentos. Não é criada, não é partilhável, não é passível de ter qualquer significado quando citada. Com M. falo de Bruce Lee, com A. falo de pêras; referências diferentes para conversar sobre as mesmas coisas. Quer as <em>private jokes</em>, quer os discursos íntimos, são exactamente isso: privados e íntimos.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/">Private jokes e discursos íntimos</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2010/01/private-jokes-e-discursos-intimos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Histórias</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 03:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escárnio e Maldizer]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Barata]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=180</guid>
		<description><![CDATA[Estou quase a acabar de ler Generation A do Douglas Coupland. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o Jpod, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/">Histórias</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou quase a acabar de ler <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_A">Generation A</a></em> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Coupland">Douglas Coupland</a>. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/JPod">Jpod</a></em>, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer coerência aparente apenas poderá ser</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">fruto das probabilidades (escassas) / sorte;</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">resultado de um esforço muito deliberado (e muito pouco compensador).</span></li>
</ol>
<p>A vida não é, portanto, um filme. Ou qualquer outra forma narrativa. Uma verdadeira biografia será, na melhor das hipóteses, uma massa desinteressante pontuada por alguns momentos de interesse. As histórias da nossa vida que contamos (incluindo as que valem realmente a pena contar) são sempre relatos posteriores. Pequenas narrativas fruto de uma ordenação e reordenação do passado.</p>
<div id="attachment_181" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-181" title="'Generation A' de Douglas Coupland" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/11/Photo046.jpg" alt="in 'Generation A' de Douglas Coupland" width="500" height="216" /><p class="wp-caption-text">in &#39;Generation A&#39; de Douglas Coupland</p></div>
<p>Ninguém me irrita mais, portanto, que as pessoas que querem fazer o contrário, vivendo momentos escritos e planificados. Dois exemplos muito diferentes:</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">A mulher que no meio de uma discussão não desfere um ataque verbal contra mim mas, pelo contrário, <em>diz uma deixa</em> (ex. <em>&#8220;Eu não estou à procura de uma relação&#8221;</em>) para ser apreciada por uma audiência invisível. Ouve: a nossa vida está aqui mesmo &#8211; não somos actores em nenhum filme francês.</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">O tipo que, enquanto eu esperava aflito no corredor do bar, snifava coca na casa de banho armado em Gordon Gekko, provavelmente usando um Andante (passe mensal dourado) para desenhar a linha na caixa do autoclismo. Enquanto me tentava abstrair das três SuperBocks na bexiga, reflecti em como ninguém estava a ver o gajo*  -  porque é que não se limita a enfiar aquela merda pelo nariz acima com o dedo?</span></li>
</ol>
<p><em>Cinematografizar</em> a vida, admito, é algo em que todos caímos. Se vou entrar num sítio, penso na forma como o George Clooney ou o Brad Pitt entram nos sítios nos <em>Ocean&#8217;s</em>. Mas parte de mim espera que no fundo ninguém repare &#8211; precisamente porque não sou nem o George Clooney nem o Brad Pitt nem, infelizmente, me pareço com algum deles. Mas existe algo de fundamentalmente nefasto neste comportamento: sinto que estou a lidar com pessoas que se referem a elas próprias na terceira pessoa, estilo <em>&#8220;o Jardel tem treinado bem e acha que o mister confia nele&#8221;.</em> Ou com alguém que, quando se lhe pede que desenhe <em>o que viu</em>, se inclui a ele próprio na desenho.</p>
<p>Os meus olhos estão aqui mesmo, na minha cabeça, e só vejo para fora.</p>
<p><span style="color: #666; font-size:0.9em; ">* Muito bem, nem eu. Mas o gajo saiu da casa de banho raiado e a fungar e juro que ouvi o que presumo ser um cartão plastificado a raspar qualquer coisa em cerâmica &#8211; mas ahah! aí o indivíduo até tinha uma audiência! Ora bolas&#8230;</span></p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/">Histórias</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Carro</title>
		<link>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/</link>
		<comments>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 00:55:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ed]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[vida real]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cafeina.org/ed/?p=135</guid>
		<description><![CDATA[Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/">O Carro</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro transalpino com uma tendência excessiva para o consumo de bebidas alcoólicas. Esta caixa armada em especial de corrida é a razão pela qual a minha condução requer que eu mexa na manete das mudanças mais que o normal, o que me dá a fama de nervosinho ao volante. O carro tem ainda um risco na mala, duas amolgadelas na porta, um auto-rádio que não funciona e um limpa pára-brisas disfuncional. Em compensação tem também encostos de cabeça, vidros eléctricos, e a patina resultante de dez anos a ser estacionado na rua.</p>
<p>O meu Punto já foi assaltado diversas vezes (embora os bens furtados se tenham resumido a um colete reflector, umas fotocópias de Teoria e Crítica da Arte, e uma cassette), pelo que entretanto comprei um daqueles apetrechos que bloqueiam o volante. Mas aparte a questão da mobilidade que tento limitar a terceiros porque a gasolina é cara, vejo o meu carro como um espaço público sobre rodas. Lavo-o porque me chateia conduzir com lama no pára-brisas, e devo tê-lo aspirado pela última vez há uns cinco anos. Há coisas mais importantes na vida do que aspirar o carro. Incluindo não fazer nada.</p>
<p>Tendo 14 anos e uma quilometragem que já passou a centena de milhar, há quem possa dizer que se trata de um carro &#8216;velho&#8217;. Eu discordo. É &#8216;antigo&#8217;. O Fiat anda de A para B com pouca manutenção. Tenho poupanças que me permitiriam comprar um carro recente, talvez mesmo novo, mas sinceramente preferia gastá-las em SuperBock ou coisas ainda mais úteis. Além disso ainda há uns meses fiz um <em>upgrade</em> que consistiu na compra de uns tampões para as jantes no Continente.</p>
<div id="attachment_141" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-141" title="Um BMW com ar de mau" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/08/154284634_500.jpg" alt="Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja." width="500" height="321" /><p class="wp-caption-text">Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja.</p></div>
<p>Nunca criei uma relação afectiva com o meu carro. Nunca lhe chamei Bolinhas ou Antunes. É somente O Meu Carro. Que, se um dia puder dispensar, gostaria de empurrar por uma ribanceira abaixo, ficando depois a vê-lo explodir &#8211; segurando na mão direita uma câmara, na mão esquerda um Martini, azeitona verde  no fundo do copo.</p>
<p>O único problema é que evidentemente este meu comportamento de desprezo para com o veículo que conduzo vai contra as normas sociais vigentes. Possuir uma viatura com mais de uma década e que requeira pouca manutenção é visto como uma forma de quase-indigência, enquanto se requerer muita manutenção é sinal de riqueza. É notável como o meu estatuto social aumenta automaticamente quando estou fora da cidade &#8211; não tenho o hábito de levar o meu carro para fora. Mas quando estou no Porto, passo a ser um cidadão de segunda sempre que esteja dentro ou junto da minha viatura. Páro no semáforo e o condutor ao meu lado ou o peão na passadeira põe um ar de superioridade, queixo subido e sorriso contido, como se o carro fosse o reflexo do valor da pessoa que o conduz. Mas pior é tentar obter uma cedência de passagem. É o <em>apartheid</em> automobilístico.</p>
<p>Certas mulheres olham para o Punto com desconfiança, e depois olham para mim com desconfiança. Se vamos sair e por alguma razão ou lhes dou boleia ou vêm o que conduzo, passam a noite a tentar averiguar, de formas que variam entre as mais directas e as mais subtis, se o carro é uma excentricidade, o verdadeiro reflexo das minhas possibilidades, ou consequência da minha avareza (o lixo electrónico que tenho em casa discorda). Como não têm nada a ver com isso, é normalmente a partir desse ponto que surgem as mensagens que dizem <em>&#8220;estou muito ocupada&#8221; </em>e coisas do género (como se uma mulher interessada não arranjasse tempo para café), para minha total falta de surpresa.</p>
<p>Entrámos no território do <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/04/morte-ao-principe-encantado/">Boi do Príncipe</a>, do Ken à escala 1:1: tal como para muitos a progressão natural da vida é Curso, Trabalho, Casamento, Filhos, Crise dos 40, Divórcio, Casamento, Filhos e Morte, aparentemente há também uma Progressão Natural das Dívidas &#8211; o Carro, a Casa, seguida da Mobília e de uma série de electrodomésticos organizados por prioridades, da Televisão à Câmara de Vídeo. E o Príncipe Encantado já não é o <em>knight in a shining armor</em>, mas aquele quem tem o maior número de objectos prateados dentro desta ordem de prioridades.</p>
<p>Há uns tempos vi no outro lado da rua uma rapariga com quem saí há uns tempos e que me recordo ter sido extremamente frontal quando me perguntou quanto é que eu ganhava na nossa primeira e única saída. O seu actual namorado seguia dez passos agressivos à frente, numa cena que me trouxe memórias esquecidas dos meses que precederam o divórcio dos meus pais. Havia também uma promessa de violência no andar do senhor. Cobarde como sou, virei-me para uma montra, escondendo-me enquanto assistia ao desenrolar da cena através do reflexo. Ela entrou para um carro de grande cilindrada, de traseira gorda e pintura prateada teutónica. Pensei, sem por um momento duvidar que estava a sentir um misto de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Schadenfreude"><em>Schadenfreude</em></a> e amargura: ela tem o que queria. Afinal está tudo bem.</p>
<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/">O Carro</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

