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	<title>O Procrastinador Profissional &#187; vida real</title>
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	<description>Observações e comentários preguiçosos, por Eduardo Morais.</description>
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		<title>Do Optimismo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 22:29:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Passei a última semana num ídilio académico, rodeado de pessoas inteligentes e apaixonadas pelo que fazem, a discutir como mudar o mundo em pequenos passos, sempre partindo daquilo que de bom há em cada um de nós. Terminado o congresso, de regresso à vida real, deparei-me com a necessidade de ir às compras &#8211; leite, [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/08/do-optimismo/">Do Optimismo</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei a última semana num ídilio académico, rodeado de pessoas inteligentes e apaixonadas pelo que fazem, a discutir como mudar o mundo em pequenos passos, sempre partindo daquilo que de bom há em cada um de nós.</p>
<p>Terminado o congresso, de regresso à vida real, deparei-me com a necessidade de ir às compras &#8211; leite, atum e batatas, Sonasol e papel higiénico, um triãngulo de Brie como pequeno luxo, esse tipo de coisas. Fui pela fresca, Domingo à noite, a um supermercado de shopping. Voltei pela VCI.</p>
<p>Suspiro. Venha é daí <a class="vt-p" href="http://www.youtube.com/watch?v=hpAMbpQ8J7g">o suave apocalipse</a>.</p>
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		<title>Porque sou esquisito em relação aos cafés</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 03:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever neste artigo de 2002: Decoração: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/02/porque-sou-esquisito-em-relacao-aos-cafes/">Porque sou esquisito em relação aos cafés</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apesar de achar que o panorama melhorou bastante nos últimos anos, continuo a ser esquisito relativamente aos cafés que frequento. Não há muito para rever </em><a href="http://www.cafeina.org/vol1/arquivo/446"><em>neste artigo de 2002</em></a><em>:</em></p>
<p><em><img class="alignnone size-medium wp-image-250" title="Café" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2010/02/503367859_e752e12a26_b-500x318.jpg" alt="" width="500" height="318" /></em></p>
<p><strong>Decoração</strong>: Há cafés que são verdadeiros atentados. São daqueles com espelhos na parede, cortados na diagonal, ou com todo o reportório de espelhinhos da Tuborg e da Carlsberg colocado ao acaso. Apresentam mesas e cadeiras com tampos de plástico cinzento, a imitar granito, cadeiras estas que se roçam metalicamente no chão de marmorite. Costumam ter umas plantas de plástico iluminadas por luzes fluorescentes verde ou roxo. Em suma: são locais onde <em>dói</em> estar.</p>
<p><strong>Putos</strong>: Até podemos estar num café agradável, construído com gosto, mas eis que aparecem dois putos a estragar o sistema: Depois de descobrirem o ruído satisfatório de pisar com força o chão de madeira, nada os parece impedir de correr para trás e para a frente, até um deles cair e desatar aos berros. Dizem que <em>o melhor contraceptivo são os filhos dos outros</em>. É pena que os pais destes miúdos nunca tivessem presenciado tão aberrante cena num café.</p>
<p><strong>Ruídos industriais</strong>: Quantas vezes uma agradável conversa é subitamente interrompida pelo silvo metálico e ensurdecedor do jacto de uma máquina de café? E o estardalhaço que é quando começam a arrumar as chávenas, não na cozinha mas perto dos clientes, com um zelo só comparável ao de um maníaco com uma picareta numa loja da Vista Alegre? E já nem falo nas situações absolutamente bizarras, como daquela vez em que estava eu num café requintado e subitamente alguém começou a aspirar o chão, transformando o ambiente no de um consultório de um dentista. É sabido que o típico patrão tuga não paga aos empregados para que a limpeza seja feita depois do fecho, logo a culpa é sua: perdeu um cliente.</p>
<p><strong>Namorados</strong>: Existem de facto alguns cafés que são cenários de um certo romantismo e acho perfeitamente natural que possam ser frequentados por casais apaixonados. Só peço que namorem em silêncio, em vez de se pôrem na <em>comidela </em>com linguados húmidos e sonoros estilo filme americano dos anos 90 na mesa atrás de mim, enquanto eu me tento concentrar e acabar a porcaria deste artigo!</p>
<p><strong>Armantes e loucos</strong>: É verdadeiramente revoltante é o &#8216;falar alto selectivo&#8217; de gente que quer que todo o café ou bar fique a saber que conheceram pessoalmente um gajo dos Radiohead, que estiveram em Londres em 1972, ou que vão expor umas fotos sei-lá-onde. É para isso que existem os weblogs afinal. Mas piores mesmo são as &#8216;atracções turísticas&#8217; que subitamente começam a declamar poemas que não rimam aos berros ou que aproveitam a minha t-shirt para nos espetar com uma conversa indesejada, além do hálito a aguardente.</p>
<p><strong>Adultos com brinquedos</strong>: Embora eu ache útil e seja frequentemente utilizador das redes sem fios gratuitas de alguns cafés, irritam-me profundamente as pessoas que não tratam o portátil como um qualquer livro ou jornal que com elas tivessem, mas sim como um brinquedo. Chamando a antenção para a maçãzinha reluzente (ou pior, para a maçã autocolante na tampa do seu Acer), vêm filmes e metem música. Piores ainda são os grupos onde um iPhone salta de mão em mão, cada pessoa experimentando um pouquinho do milagre da tecnologia (como temo a primeira aparição pública dum iPad!). Ou aquelas pessoas que espalham os brinquedos todos (computadores, telefonee, máquinas fotográficas, leitores de MP3) sobre a mesa. Quando era miúdo os meus pais obrigavam-me a escolher um único brinquedo para levar quando saía de casa com eles. Acho que é um bom princípio.</p>
<p><strong>Horário:</strong> Sou um viciado em cafeína, e tenho a mania: não gosto de beber café feito na cafeteira, nem vou muito à bola com os Nespressos e afins. Quero o meu <em>espresso</em>,<em> </em>o meu <em>cimbalino</em>. Chateiam-me os cafés em que não existe a noção de dever cívico, de que são um serviço público essencial com a responsabilidade de administrar café a adictos como eu, faça chuva ou faça sol, seja Domingo ou Feriado, seja Natal ou Ano Novo.</p>
<p>É por isto que sou esquisito em relação aos cafés.</p>
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		<title>Procrastinar</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 01:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida real]]></category>

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		<description><![CDATA[Num verdadeiro exercício de &#8216;metaprocrastinação&#8217;, aqui fica um artigo que escrevi há quase um ano, o penúltimo da história do Cafeína. Definitivamente, o novo ano é tal como o anterior e até as minhas desculpas de 2010 são idênticas às de 2009: Procrastinar: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/procrastinar/">Procrastinar</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Num verdadeiro exercício de &#8216;metaprocrastinação&#8217;, aqui fica um artigo que escrevi há quase um ano, o <a href="http://www.cafeina.org/vol2/post/49">penúltimo da história do Cafeína</a>. Definitivamente, <a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/a-ressaca/">o novo ano é tal como o anterior</a> e até as minhas desculpas de 2010 são idênticas às de 2009:</em></p>
<p><a href="http://pt.wiktionary.org/wiki/procrastinar">Procrastinar</a>: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que podia fazer hoje. Ou já agora para a próxima semana. Ou <em>para quando for oportuno</em>. Ou seja, <em>protelar</em>, <em>coçar os tomates</em>, <em>coçar o escroto</em>, <em>coçar a micose</em>.</p>
<p>A Procrastinação é tramada, não admira que a <em>Preguiça</em> seja um pecado mortal. Arranja sempre uma desculpa:</p>
<p>Vou só acabar de ver isto que comecei ainda agora a ver na televisão. Vou buscar um iogurte ao frigorífico. Vou só espreitar o mail. E já que estou online, o meu blog. E os meus <em>feeds</em>. E se a mulher da minha vida não estará entre os <em>recommended friends</em> do Facebook.</p>
<p>Pronto. Vou trabalhar. É cuspir qualquer coisa para o Twitter e estarei pronto.</p>
<p><em>Trinta segundos depois:</em></p>
<p>Lá está a besta do vizinho a bater com a porta da rua e a falar alto nos corredores. A rua está pavimentada a ‘paralelo’, não tenho vidros duplos e ouvem-se muito os carros que passam. O computador também faz barulho. Vou pôr música.</p>
<p>Descubro que muitos dos álbuns da minha biblioteca não têm capa. Sinto uma necessidade imensa de corrigir este problema.</p>
<p><em>Duas horas depois:</em></p>
<p>Tenho que escrever isto no Twitter. Já agora deixa ir ao Facebook. E ao blog. Pois é, <a href="http://www.cafeina.org/post/47">falo muito</a> mas devia saber algo mais sobre o John Coltrane. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Coltrane">Wikipedia</a>.</p>
<p><em>Quatro horas depois:</em></p>
<p>Vou definitivamente trabalhar. Maldita procrastinação! Que, pensando bem, é a mãe de todas as invenções. O tipo que inventou a fotocopiadora perdeu várias décadas da sua vida a tentar <em>não</em> ter que copiar coisas à mão.</p>
<p>Boa frase: vou escrevê-la no meu blog. O trabalho pode ficar para depois.</p>
<p>&#8230; dos Simpsons, do jantar, e do Bruno Aleixo…</p>
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		<title>A ressaca</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 20:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saí da festa de passagem de ano, eram cerca de seis e meia da manhã. Foi uma festa divertida, que infelizmente não me senti incapaz de apreciar na totalidade, traído pelo excesso de consumo de álcool, que levou a uma enorme dor de barriga (talvez pela enorme quantidade de fruta que ingeri, esquecendo-me que o [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2010/01/a-ressaca/">A ressaca</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saí da festa de passagem de ano, eram cerca de seis e meia da manhã. Foi uma festa divertida, que infelizmente não me senti incapaz de apreciar na totalidade, traído pelo excesso de consumo de álcool, que levou a uma enorme dor de barriga (talvez pela enorme quantidade de fruta que ingeri, esquecendo-me que o meu estômago não é um recipiente adequado para fazer sangria) e ao revelar da minha tendência para estados de embriaguez depressivos. O que leva a que este artigo seja patrocinado pela Coca-Cola (ainda não conheço melhor alívio para a ressaca).</p>
<p>Desci os três (ou seriam quatro?) andares de elevador, mentalizando-me para o confronto com o frio e a chuva que iria encontrar no caminho para a estação de metro. Desci depois a rua, tentando concentrar o máximo de sobriedade nos pés de forma a não escorregar na calçada &#8211; o porquê do uso do calcário em ruas íngremes da cidade do Porto sempre me ultrapassou. Passei junto do <em>stand</em> de motorizadas de onde, segundo um amigo me contou, alguém uma vez saiu sentado numa coisa de 1000cc para embater com violência num muro mesmo em frente, do outro lado da rua.</p>
<p>Não havia ninguém no caminho. Virei uma esquina, e logo a seguir outra. Vi a entrada da estação de metro, uma reconfortante luz fluorescente que sinalizava o momento em que finalmente poderia fechar o guarda-chuva. Ouvi um carro que se aproximava, conduzido pelo primeiro ser humano que encontraria em 2010 fora da festa em que estive. O primeiro Anónimo do ano. O carro buzinou e pareceu-me abrandar. Seria afinal conduzido por alguém que conheço?</p>
<p>Olhei e vi um indivíduo a fazer-me piças. Uma fracção de segundo antes de o Golf prateado acelerar para fora do meu campo de visão. Entrei na estação de metro e fechei o guarda-chuva, pensando:</p>
<p>2010 &#8211; a mesma merda.</p>
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		<title>Quase lá</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 19:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está por horas este Ano dos Infernos que foi 2009. Um ano passado a dizer &#8220;pêra pêra pêra&#8221; repetidamente para mim próprio, e a relembrar os valiosos ditos da minha falecida avó, tais como: &#8220;Se queres que a tua vida te corra bem, não contes dela a ninguém.&#8221; 2009 foi também o Ano das Lições, [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/12/quase-la/">Quase lá</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está por horas este <em>Ano dos Infernos</em> que foi 2009. Um ano passado <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/encalhar/">a dizer </a><em><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/encalhar/">&#8220;pêra pêra pêra&#8221;</a></em> repetidamente para mim próprio, e a relembrar os valiosos ditos da minha falecida avó, tais como:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Se queres que a tua vida te corra bem, não contes dela a ninguém.&#8221;</p>
<p>2009 foi também o <em>Ano das Lições</em>, e ainda o <em>Ano das Ilações</em>. Serão aliás o meu pequeno prémio de consolação por ter chegado a este dia, salvo e relativamente são. Aprend<em><span style="font-style: normal;">i o valor </span>de estar com quem estar comigo querendo eu igualmente estar</em>, e o valor de <em>não estar com quem não quero estar</em>. Coisinhas simples e das quais tenho vergonha de ter demorado trinta anos a apreciar.</p>
<p>Foi, no fundo, o <em>Ano dos Males Necessários</em>. É por isso que agora, chegado a 31 de Dezembro sem muitas mais Questões Problemáticas a Resolver, brindarei muito em breve com os meus amigos a um grande 2010!</p>
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		<title>Histórias</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 02:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou quase a acabar de ler Generation A do Douglas Coupland. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o Jpod, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/11/historias/">Histórias</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou quase a acabar de ler <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_A">Generation A</a></em> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Coupland">Douglas Coupland</a>. O livro não é extraordinário, estando bastante longe de algo como o <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/JPod">Jpod</a></em>, mas fala bastante de algo que me tem ocupado os pensamentos nos últimos tempos: é que acredito que a vida é uma sucessão probabilística de acontecimentos e de momentos, e qualquer coerência aparente apenas poderá ser</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">fruto das probabilidades (escassas) / sorte;</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">resultado de um esforço muito deliberado (e muito pouco compensador).</span></li>
</ol>
<p>A vida não é, portanto, um filme. Ou qualquer outra forma narrativa. Uma verdadeira biografia será, na melhor das hipóteses, uma massa desinteressante pontuada por alguns momentos de interesse. As histórias da nossa vida que contamos (incluindo as que valem realmente a pena contar) são sempre relatos posteriores. Pequenas narrativas fruto de uma ordenação e reordenação do passado.</p>
<div id="attachment_181" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-181" title="'Generation A' de Douglas Coupland" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/11/Photo046.jpg" alt="in 'Generation A' de Douglas Coupland" width="500" height="216" /><p class="wp-caption-text">in &#39;Generation A&#39; de Douglas Coupland</p></div>
<p>Ninguém me irrita mais, portanto, que as pessoas que querem fazer o contrário, vivendo momentos escritos e planificados. Dois exemplos muito diferentes:</p>
<ol>
<li><span style="background-color: #ffffff;">A mulher que no meio de uma discussão não desfere um ataque verbal contra mim mas, pelo contrário, <em>diz uma deixa</em> (ex. <em>&#8220;Eu não estou à procura de uma relação&#8221;</em>) para ser apreciada por uma audiência invisível. Ouve: a nossa vida está aqui mesmo &#8211; não somos actores em nenhum filme francês.</span></li>
<li><span style="background-color: #ffffff;">O tipo que, enquanto eu esperava aflito no corredor do bar, snifava coca na casa de banho armado em Gordon Gekko, provavelmente usando um Andante (passe mensal dourado) para desenhar a linha na caixa do autoclismo. Enquanto me tentava abstrair das três SuperBocks na bexiga, reflecti em como ninguém estava a ver o gajo*  -  porque é que não se limita a enfiar aquela merda pelo nariz acima com o dedo?</span></li>
</ol>
<p><em>Cinematografizar</em> a vida, admito, é algo em que todos caímos. Se vou entrar num sítio, penso na forma como o George Clooney ou o Brad Pitt entram nos sítios nos <em>Ocean&#8217;s</em>. Mas parte de mim espera que no fundo ninguém repare &#8211; precisamente porque não sou nem o George Clooney nem o Brad Pitt nem, infelizmente, me pareço com algum deles. Mas existe algo de fundamentalmente nefasto neste comportamento: sinto que estou a lidar com pessoas que se referem a elas próprias na terceira pessoa, estilo <em>&#8220;o Jardel tem treinado bem e acha que o mister confia nele&#8221;.</em> Ou com alguém que, quando se lhe pede que desenhe <em>o que viu</em>, se inclui a ele próprio na desenho.</p>
<p>Os meus olhos estão aqui mesmo, na minha cabeça, e só vejo para fora.</p>
<p><span style="color: #666; font-size:0.9em; ">* Muito bem, nem eu. Mas o gajo saiu da casa de banho raiado e a fungar e juro que ouvi o que presumo ser um cartão plastificado a raspar qualquer coisa em cerâmica &#8211; mas ahah! aí o indivíduo até tinha uma audiência! Ora bolas&#8230;</span></p>
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		<title>Mais que Isto</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 01:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Não sou um membro da Aristocracia. Não tenho nenhum familiar que seja membro da Aristocracia. Nem Condes, nem Viscondes, nem Marqueses. Apenas uma marquise de que me envergonho. Tive, é verdade, um avô que era Maior da Aldeia, mas acontece que a aldeia em questão é realmente uma aldeia, daquelas onde o barbeiro é também [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/10/mais-que-isto/">Mais que Isto</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou um membro da Aristocracia. Não tenho nenhum familiar que seja membro da Aristocracia. Nem Condes, nem Viscondes, nem Marqueses. Apenas uma <em>marquise</em> de que me envergonho. Tive, é verdade, um avô que era Maior da Aldeia, mas acontece que a aldeia em questão é realmente uma aldeia, daquelas onde o barbeiro é também o taxista e onde não existe nem um café nem uma mercearia mas apenas somente O Comércio. O máximo de contacto que tive de facto com qualquer espécie de Aristocracia foi quando em criança fui com os meus pais visitar uns primos que eram caseiros de um Visconde que tinha uma pequena plantação de toranjas no seu palacete. Sabiam mal, as toranjas.</p>
<p>Concorri recentemente a um concurso de atribuição de subsídios do Instituto do Cinema e Audiovisual. Estando eu, pensava, em início de carreira, fui comedido na ambição. Enviei, através de uma produtora, um projecto de curta-metragem. &#8220;<em>É por aí que se começa&#8221;</em>, pensei. A resposta foi célere: Fiquei em 14º lugar a contar do fim, e levei aquilo que o produtor (aliás magnífico, e a quem agradeço ter acreditado no projecto) classificou como uma <em>injusta chapada na cara</em>:</p>
<p><em>&#8220;Parece no entanto que o argumento carece de alguma solidez, merecendo um tratamento mais cuidado, que torne mais perceptíveis algumas das motivações que conduzem e condicionam os personagens e os seus conflitos, que podiam ser melhor caracterizados, melhorando a sua consistência narrativa.&#8221;</em>, disseram. Muito bem, é uma avaliação indiscutível porque é vaga. Tão vaga de facto, que pode ser dita acerca de qualquer outro argumento. Chamemos-lhe portanto Desculpa para Indeferimento nº 27. Bem sei que o meu argumento não é perfeito. Uma vez que não será filmado, <a href="http://eduardomorais.com/downloads/ReinoCeleste-20090818.pdf">disponibilizei-o online para que qualquer um o critique</a> (PDF). N0 entanto sei o seguinte: <em>o meu projecto é melhor do que alguns aos quais serão atribuídos subsídios</em>. Como provavelmente serão também melhores muitos dos outros projectos chumbados. Basta ir a festivais e ver algumas das coisas que têm sido financiados pelo I.C.A. nos últimos anos. Mas foi contudo aquilo que se seguiu que me inflamou a razão:</p>
<p><em>&#8220;O candidato tem sobretudo curriculum académico, com alguns (poucos) trabalhos realizados, com pouca expressão em festivais nacionais e sem referências internacionais.&#8221; </em></p>
<p><em><span style="font-style: normal;">Não sendo aristocrata não sou, pelos vistos, um Cidadão. Não sou, pelo menos, cidadão de primeira categoria. Tenho o direito de voto, que utilizo desde os 18 anos. Mas àparte isso é notório que sou um Zé Ninguém. Porque não tenho o direito de tentar iniciar uma carreira. Se peço um subsídio é porque não tenho dinheiro nem recursos para fazer os tais trabalhos que possam ter expressão nos festivais nacionais e internacionais. É verdade que hoje em dia a tecnologia permite, felizmente, que vá fazendo <a href="http://www.eduardomorais.com">umas coisitas</a> nos limites das disponibilidades de amigos e dos recursos que consigo juntar. Mas há limites para o que pode ser feito quando tudo é racionado, quando a ideia depende dos meios e não o contrário. <em><span style="font-style: normal;">O comentário acima proferido pelo júri, que não acredito que seja ingénuo a ponto de ser alheio à realidade, não passará de um simples &#8220;</span>vai-te foder &#8211; f</em><em>ico aí, <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/06/entre-uma-rocha-e-um-sitio-duro/">entre uma rocha e um sitio duro</a>.&#8221;</em> A impossibilidade de iniciar uma carreira sem ter nome, exigindo-se que se tenha nome sem carreira é o </span><span style="font-style: normal;">&#8216;preso por ter cão&#8217; <span style="font-style: normal;">que diferencia as </span>castas<span style="font-style: normal;">.</span></span></em></p>
<p>É evidente que não tenciono desistir. Este não é o primeiro Fuck You que recebo de um júri, nem será certamente o último - há dois anos, por exemplo, escreveram que <a href="http://www.eduardomorais.com/downloads/RecibosVerdes-20070910.pdf">o meu argumento</a> (PDF) tinha<em> &#8220;um final </em><em>pouco conclusivo&#8221; </em>(em nenhuma página do regulamento existia uma referência à obrigatoriedade de ter narrativas fechadas). Todavia, chegado aos trinta anos e com cada vez mais dificuldades em mobilizar pessoas e recursos para projectos &#8216;<em>no budget&#8217;</em>, começo a temer que a minha <em>finest hour</em> já esteja para trás, despercebida, em algum (dos poucos) trabalhos realizados. Desde a adolescência que me apoiei na felicidade que conseguia extraír da criatividade como forma de compensar a infelicidade noutras áreas, mas hoje tal como para Celeste o futuro próximo é um nevoeiro cerrado. Apenas sei que a Igualdade de Oportunidades é uma mentira.</p>
<p>Quero de qualquer forma terminar por aqui a autocomiseração e o ressabiamento. <em>&#8220;Fuck Them&#8221;</em>, como diz o outro que é mais burgesso que aristocrata. Digo sempre <em>&#8220;quem quer pena que chame o Bono&#8221;</em>, e eu não gosto dos U2. Resistirei, nem que para estar entre uma rocha e um sítio duro me torne rocha eu mesmo. Sei que no final as coisas correram bem a Celeste.</p>
<p>Contudo, Celeste é uma aristocrata&#8230;</p>
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		<title>Sintomas de velhice I</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 23:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje dei por mim a segurar com um certo desprezo um daqueles Memory Sticks em versão mini que se usam nos telemóveis. Isto porque esse cartão apenas tinha 1GB de memória. Subitamente caiu a ficha: isso é nada mais, nada menos que o dobro que a capacidade do disco duro do meu primeiro PC, que [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/10/sintomas-de-velhice-i/">Sintomas de velhice I</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_158" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-medium wp-image-158" title="Scary" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/10/Scary-500x154.png" alt="Scary" width="500" height="154" /><p class="wp-caption-text">Dou aulas a gente que nasceu depois da Queda do Muro. No ensino superior.</p></div>
<p>Hoje dei por mim a segurar com um certo desprezo um daqueles Memory Sticks em versão mini que se usam nos telemóveis. Isto porque esse cartão <em>apenas</em> tinha 1GB de memória. Subitamente caiu a ficha: isso é nada mais, nada menos que o <em>dobro</em> que a capacidade do disco duro do meu primeiro PC, que terá custado aí para cima de uns trezentos <em>contos</em> em 1995. Ou cerca de 1100 <em>disquetes</em> do Commodore Amiga que tive anteriormente &#8211; umas três ou quatro vezes a totalidade da minha colecção, que se dividia entre disquetes com jogos pirateados em casa e disquetes com jogos <em>pirateados e vendidos completamente à luz do dia</em>, 500 escudos a disquete num centro comercial da Senhora da Hora. E nem vale a pena falar muito das <em>cassetes</em> do ZX Spectrum (tenho algumas com o mais belo <em>stationary</em> de sempre, de uma loja no C.C. Cedofeita &#8211; por baixo do nome do estabelecimento dizem muito simplesmente <em>&#8220;Cópias de Jogos&#8221;</em>).</p>
<p>Ou seja: será que o progresso tecnológico acelera o sentimento de velhice?</p>
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		<title>O Carro</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2009 00:55:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[ideias]]></category>
		<category><![CDATA[relações]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/o-carro/">O Carro</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho um carro. É um Fiat Punto de primeiríssima geração, fabricado pela marca de Turim em 1995. É um carro vulgar, motor de 1.1 litros e 55cv de potência, e uma pintura cor de ratazana metalizada. A única excepcionalidade reside na caixa de seis velocidades, algo que deve ter parecido boa ideia a algum engenheiro transalpino com uma tendência excessiva para o consumo de vermute. Esta caixa armada em especial de corrida é a razão pela qual a minha condução requer que eu mexa na manete das mudanças mais que o normal, o que me dá a fama de nervosinho ao volante. O carro tem ainda um risco na mala, duas amolgadelas na porta, um auto-rádio que não funciona e um limpa pára-brisas disfuncional. Em compensação tem também encostos de cabeça, vidros eléctricos, e a patina resultante de dez anos a ser estacionado na rua.</p>
<p>O meu Punto já foi assaltado diversas vezes (embora os bens furtados se tenham resumido a um colete reflector, umas fotocópias de Teoria e Crítica da Arte, e uma cassette), pelo que entretanto comprei um daqueles apetrechos que bloqueiam o volante. Mas aparte a questão da mobilidade que tento limitar a terceiros porque a gasolina é cara, vejo o meu carro como um espaço público sobre rodas. Lavo-o porque me chateia conduzir com lama no pára-brisas, e devo tê-lo aspirado pela última vez há uns cinco anos. Há coisas mais importantes na vida do que aspirar o carro. Incluindo não fazer nada.</p>
<p>Tendo 14 anos e uma quilometragem que já passou a centena de milhar, há quem possa dizer que se trata de um carro &#8216;velho&#8217;. Eu discordo. É &#8216;antigo&#8217;. O Fiat anda de A para B com pouca manutenção. Tenho poupanças que me permitiriam comprar um carro recente, talvez mesmo novo, mas sinceramente preferia gastá-las em SuperBock ou coisas ainda mais úteis. Além disso ainda há uns meses fiz um <em>upgrade</em> que consistiu na compra de uns tampões para as jantes no Continente.</p>
<div id="attachment_141" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-141" title="Um BMW com ar de mau" src="http://www.cafeina.org/ed/wp-content/uploads/2009/08/154284634_500.jpg" alt="Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja." width="500" height="321" /><p class="wp-caption-text">Também vai do ponto A ao ponto B. O problema é que uma vez no ponto B não teria dinheiro para uma cerveja.</p></div>
<p>Nunca criei uma relação afectiva com o meu carro. Nunca lhe chamei Bolinhas ou Antunes. É somente O Meu Carro. Que, se um dia puder dispensar, gostaria de empurrar por uma ribanceira abaixo, ficando depois a vê-lo explodir com uma câmara na mão direita e um Martini (dos que são vodka, vermute do bom e uma azeitona, não dos que são aquela coisa engarrafada) na mão esquerda.</p>
<p>O único problema é que evidentemente este meu comportamento de desprezo para com a carruagem-sem-cavalo que conduzo vai contra as normas sociais vigentes. Possuir uma viatura com mais de uma década e que requeira pouca manutenção é visto como uma forma de quase-indigência (se requerer muita manutenção é sinal de riqueza). É notável como o meu estatuto social aumenta automaticamente quando estou fora da cidade (não tenho o hábito de levar o meu carro para fora). Mas quando estou no Porto, passo a ser um cidadão de segunda sempre que esteja dentro ou junto da minha viatura. Páro no semáforo e o condutor ao meu lado ou o peão na passadeira põe um ar de superioridade, queixo subido e sorriso contido, como se o carro fosse o reflexo do valor da pessoa que o conduz. Mas pior é tentar obter uma cedência de passagem. É o <em>apartheid</em> automobilístico.</p>
<p>Certas mulheres olham para o Punto com desconfiança, e depois olham para mim com desconfiança. Se vamos sair e por alguma razão ou lhes dou boleia ou vêm o que conduzo, passam a noite a tentar averiguar, de formas que variam entre as mais directas e as mais subtis, mas sempre bastante nítidas para mim, quais serão as minhas reais capacidades financeiras, se serei um bom <em>provider</em>. Ou se serei, pelo contrário, extremamente avarento (o lixo electrónico que tenho em casa discorda). Como não têm nada a ver com isso, é normalmente a partir desse ponto que surgem as mensagens que dizem <em>&#8220;estou muito ocupada&#8221; </em>e coisas do género (como se uma mulher interessada não arranjasse tempo para café), para minha total falta de surpresa.</p>
<p>Entrámos no território do <a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/04/morte-ao-principe-encantado/">Boi do Príncipe</a>, do Ken à escala 1:1: tal como para muitos a progressão natural da vida é Curso, Trabalho, Casamento, Filhos, Crise dos 40, Divórcio, Casamento, Filhos e Morte, aparentemente há também uma Progressão Natural das Dívidas &#8211; o Carro, a Casa, seguida da Mobília e de uma série de electrodomésticos organizados por prioridades, da Televisão à Câmara de Vídeo. E o Príncipe Encantado já não é o <em>knight in a shining armor</em>, mas aquele quem tem o maior número de objectos prateados dentro desta ordem de prioridades.</p>
<p>Há uns tempos vi no outro lado da rua uma rapariga com quem saí há uns tempos e que me recordo ter sido extremamente frontal quando me perguntou quanto é que eu ganhava na nossa primeira e única saída. O seu actual namorado seguia dez passos agressivos à frente, numa cena que me trouxe memórias esquecidas dos meses que precederam o divórcio dos meus pais. Havia também uma promessa de violência no andar do senhor. Cobarde como sou, virei-me para uma montra, escondendo-me enquanto assistia ao desenrolar da cena através do reflexo. Ela entrou para um carro de grande cilindrada, de traseira gorda e pintura prateada teutónica. Pensei, sem por um momento duvidar que estava a sentir um misto de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Schadenfreude"><em>Schadenfreude</em></a> e amargura: ela tem o que queria. Afinal está tudo bem.</p>
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		<title>Comprar o jornal ao Domingo</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 16:07:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Morais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[porto]]></category>
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		<description><![CDATA[Ultimamente tenho vindo a ponderar qual será o índice económico ideal para determinar a vitalidade socio-economico-cultural de uma cidade. E julgo que o descobri. Proponho a criação do Índice de Facilidade de Compra de um Jornal ao Domingo. Por exemplo, no Porto: o Dr. Rui Rio quer-nos fazer acreditar que a sua política de reabilitação [...]<p><br />Ler <b><a href="http://www.cafeina.org/ed/2009/08/comprar-o-jornal-ao-domingo/">Comprar o jornal ao Domingo</a></b> n'<a href="http://www.cafeina.org/ed">O Procrastinador Profissional</a>...</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ultimamente tenho vindo a ponderar qual será o índice económico ideal para determinar a vitalidade socio-economico-cultural de uma cidade. E julgo que o descobri.</p>
<p>Proponho a criação do <strong>Índice de Facilidade de Compra de um Jornal ao Domingo</strong>. Por exemplo, no Porto: o Dr. Rui Rio quer-nos fazer acreditar que a sua política de reabilitação urbana é um sucesso, isto porque agora há duas ruas (até Outubro alegremente patrocinadas pela Câmara Municipal) com alguns bares onde às Sextas e Sábados à noite se junta toda uma multidão vinda dos arredores à procura de temas de conversa para Segunda-feira de manhã. No entanto, qualquer verdadeiro portuense sabe que o Índice de Dificuldade da Compra de um Jornal ao Domingo atingiu hoje talvez o seu nível mais elevado.</p>
<p>Por exemplo, hoje, 16 de Agosto de 2009. Apesar da haver imensos turistas pela Baixa, fui obrigado a ir comprar o jornal <em>à Estação de São Bento </em>e mesmo aí <em>&#8220;já só há o &#8216;Noticias&#8217;&#8221;</em>. Jornais &#8216;esquisitos&#8217; como o Público só mesmo naqueles locais com muita imprensa internacional, como os <em>shoppings</em> e as bombas de gasolina. Bela reabilitação, Dr. Rio!</p>
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