13.07.2008

Alexander Torres

#11 · 3 coms.

Os Três Grandes

“Catano!” dirão os leitores. “Nem um mês de Cafeína renovado, e já estão a falar desse desporto de neandertais que é o futebol!” Mas não. Este título não faz referência ao trio de clubes que dominam o panorama futebolístico nacional. O assunto hoje é algo por qual nutro grande paixão, mas que os (pouquíssimos) leitores do meu outro blog devem estar fartos até aos cabelos. Lamento. Continuo a sonhar que poderei um dia fazer um artigo que todos apreciem ler. O assunto? Carros. Os três grandes? Audi, BMW e Mercedes, os três maiores fabricantes de carros de luxo, que também são alemães.

“Mas porque carga e recarga de água está este gajo a falar disto?” perguntarão. Eu digo. Saiam à rua. Dêem uma volta ao quarteirão, e contem quantos veículos destas marcas vêem estacionados ou a circular. Estas são marcas de luxo, logo, devem ser carros caros. Mas as estradas portuguesas estão verdadeiramente inundadas por estes automóveis, o que é de indagar como é possível, visto que ao ver o telejornal só ouvimos falar em “crise económica” , “crise no sector” e outras frases-feitas jornalísticas que dão ideia que o país está à beira da hecatombe socio-económica. E eu não duvido que Portugal esteja numa situação complicada, o que me surpreende é que o mercado automóvel está de vento em popa. Vendem-se carros novos que é uma coisa doida, e são cada vez mais os importados em segunda mão a circular. Só isto já é digno de um artigo em si, mas hoje vou concentrar-me noutra coisa.

Há uma preponderância da malta comprar carros alemães, dos tais “três grandes” (a Volkswagen é alemã, mas não é marca de luxo, por isso não a incluo). Se perguntarem a razão da escolha, os donos dirão “duram muito” ou “são bem construídos”, mas não dirão que a verdadeira razão, que eles possam saber consciente ou inconscientemente, é o status que dá.

“Qual é o teu carro?” pergunta o grunho ao azeiteiro. “Ah, é um Bê-Eme!” responde este, com um sorrisinho enquanto enche o peito. A verdade é que nos encontros de homens de pelo no peito, gel no cabelo e ouro no dedo, não dá um ar de importante responder que conduz um Clio quando se pode dizer que se tem um classe C. E quem conduz um Audi está claramente a dizer “Eu sou rico e desprovido de bom-gosto o suficiente para ter comprado isto em vez de um Seat para fazer as minhas estupidezas na estrada.”

Digo-o com toda a lógica e razão do meu lado: quem tem um destes carros é um guna endinheirado ou pimba ou azeiteiro ou novo rico, ou pior, taxista. Compraram-no para dar pasta e provar uma masculinidade mal-confirmada, para dar nas vistas, para exibir um status social que não têm.

Tags: alexander, pensamentos

Comentários

Tiago Farrajota:
27.07.2008

E os SUVs pah? isso sim merece um dissertação.

gajos com dignidade conduzem carros com mais de 10 anos. :D


Mr. Steed:
21.07.2008

Pá, tava capaz de de abraçar. Mais um moço que acredita na grunhice dos condutores de carros alemães....até tou emocionado. até parecia eu a escrever...


Ed:
13.07.2008

Fica por tratar no teu artigo o fenómeno dos 'carros gordos', nomeadamente os Audis e Seats, mas também muitos dos jipes que aí andam. É que há aí uma subtileza qualquer nesses carros, não é só status é também o chega para lá. Esses carros são tipo uma casca exterior de uma personalidade gulosa.



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