Marados dos cornos
“Pelas barbas inexistentes de Antíoco IV Epífânio!” exclamarão os leitores. “Três dias e nem um único novo artigo do Cafeína para agradar às hostes de fiéis seguidores?!” Pois dou-vos um novo post, escrito ao longo dos últimos dias, às prestações, feito enquanto aguardo que o AutoCAD negoceie a alocação de recursos com o CPU. Ao menos tento escrever alguma coisa, ao contrário de certos filósofos ininteligíveis que não só não escrevem como se queixam sobre a alta sofisticação temática de quem escreve (sim, isso foi uma boca). Portanto vou baixar a fasquia, e veremos o que sai.
Desta vez vou tripar com os malucos. Na boa tradição cafeinesca, que se f**a o politicamente correcto e vamos dar na cabeça aos doidos varridos que nos assolam o quotidiano. Começaremos com os mais calmos e progrediremos até aos mais perigosos.
Há os tolinhos inofensivos que nos falam sem mais nem menos, deixando-nos sem resposta e sem saber se devemos rir e ir embora, e sentirmo-nos uns cabrões por sermos tão intolerantes de quem tem uma doença, ou se metemos conversa e aí corremos o risco de termos o doido à perna por muito tempo.
Existem os chanfrados que exibem sinais menos evidentes, mas quando mostram os sinais, catano, não há margem para dúvidas. Há uns anos queria subir à Torre dos Clérigos, que estava em obras, e o tipo que estava a vender bilhetes disse qualquer coisa como “Ora, acontece que, de momento, a Torre está em obras, sendo que é impossível visitar a Torre, pois as obras não permitem visitas, portanto, se vier e já não houver obras, já poderá subir, mas, sendo o caso de que realmente está a haver obras, não serão possíveis visitas até futura data após o término das obras, aí sim, será possível realizar visitas à Torre, mas até lá, não será possível, pois está interdito por motivo de obras, blá-blá-blá blá-blá-blá blá-blá-blá(…)”
Temos os pedintes, uma estirpe de malucos mais agressivos, como a Deolindinha que anda pela Baixa portuense, faz anos todos os dias (já deve ter uns 2000 anos) e é orfã (aos 2000 anos, ou aos 40 e tal, como quiserem). A Deolindinha é capaz de engendrar os insultos mais criativos, do tipo que fazem marinheiros corar, se nos recusarmos a “dar uma moedinha”. Depois temos o maluquinho de cabelo branco e cabeça deformada que também anda pela Baixa. No Euro 2004, pedia timidamente se “empresta um euro para uma sopa”. Agora já nada teme e pede logo dois euros, como fazem os pedintes lisboetas, a alto e bom som. Existe o doido da zona do Marquês/Costa Cabral, que anda sozinho pela rua, mas a mandar vir com pessoas invisíveis. E se alguém se meter no caminho, é abalroado.
E por fim, os chanfrados doidos malucos sociopatas, mas, por alguma razão para mim insondável, socialmente aceites, como taxistas e estafetas, empregados de mesa beligerantes, condutores de Seats e Audis, políticos e comentadores televisivos. São estes psicopatas infelizes que mais gostaríamos de ver num colete de forças a espumarem dos cantos da boca enquanto lhes é administrado terapia de choques eléctricos.
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