Desenrascate yourself
Poder-se-á chamar esta habilidade de “desenrascanço”, essa qualidade intangível tão tuga que até deu polémica no artigo homónimo do Wikipedia, entretanto desaparecido. A dita docente de Filosofia engenhosamente transformou uns centímetros quadrados de papel numa ferramenta de precisão para desentupir narinas. O português típico, aquele de bigode, indumentária imunda e executor de uma nobre profissão como Taxista ou Trolha ou Aquele Que Usufrui Do Rendimento Mínimo Porque Não Quer Fazer Um Car*lho, sabe desenrascar a rua como recipiente para as suas pontas de cigarro, papéis de lotaria sem valor e escarradelas. O condutor pimba desencanta sempre uma rampa, um passeio, uma linha amarela ou cria uma nova faixa para estacionar. O empresário é perito uma nova via de fuga ao fisco. O drogado habilmente encontra um cantinho numas ruínas ou casas desocupadas para chutar para a veia. Que povo cheios de recursos que somos! Como gostaria que esta habilidade fosse empregue para mais do que, sei lá, forrar um cone de papel com ranhetas. Éramos reis do mundo!
E agora chega, pois nas palavras sábias do conhecidíssimo filósofo grego, Eduardos de Sousos, já estou a encher chouriços.
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