05.11.2008

Eduardo Morais

#29 · 8 coms.

Presidente Obama

Além disso o gajo tem pinta.

Soube bem escrever o título, por isso volto a repetir:

Presidente Obama.

Lembro-me muito bem do pesadelo das eleições americanas de 2000. Lembro-me de assistir à transmissão da noite eleitoral, fazendo uma quase-directa até de manhã, e de me deitar sem saber quem seria o homem mais influente no mundo nos quatro, porventura oito anos seguintes. E lembro-me do desespero, quase um mês depois, quando se confirmou o golpe a favor do senhor Bush. Na altura discuti muito, com amigos e familiares, que achavam muito bem a vitória da Direita na América, para “limpar o mundo da rebaldaria das Esquerdas”. Enfim, o tal ‘discurso da tanga’. Não compreenderam aquilo que eu soube logo: o presidente dos EUA não é apenas o presidente de um país poderoso, como o presidente chinês ou o presidente russo, os tais com acesso ao Botãozinho Vermelho da Destruição Total. O presidente dos EUA é o presidente da principal potência mediática, e a ideologia desse senhor será a ideologia mais influente em grande parte do mundo nos anos seguintes. No dia da tomada de posse de G. W. Bush escrevi aqui um artigo acerca disto. Ainda estávamos longe de adivinhar o que viria aí.

O 11 de Setembro, independentemente dos culpados por este grave crime, deu à Direita mais reaccionária dos Estados Unidos (e, por arrasto, de grande parte do mundo) a desculpa para entrar numa total orgia triunfalista, com os discursos do “conosco ou contra nós”, com medidas securitárias radicais de dar orgasmos a muito PIDE encapotado (tanques e soldados de metrelhadora à porta de aeroportos na Europa, detenções ilegais, etc), mas também levou a mudanças substanciais no dia-a-dia de pequenos locais como o nosso Portugal - estou convencido que sem Bush nunca teria o recibo verde, o estágio não remunerado, o congelamento dos aumentos dos salários reais chegado ao cúmulo onde chegou. Com Bush, foram os pobres (e os médios) do mundo que ficaram mais pobres, os ricos mais ricos e mais psicoticamente gananciosos, e quem está contra que se cale ou é terrorista.

Claro que isto era insustentável. Um defeito do Capitalismo (e também a sua principal virtude) é ser um sistema simbiótico, logo os ricos não podem continuar a ser ricos por muito tempo se ‘matarem’ (com salários baixo, dívidas, etc) os consumidores dos quais afinal dependem. Portanto, sem um pouco de ‘socialismo’ que permita à população participar realmente na economia, aos ricos sobram os Jogos de Casino e Esquemas de Pirâmide. O resultado está aí: a Segunda Grande Depressão. Esperemos que o Sr. Obama consiga liderar uma recuperação rápida.

A minha esperança no Sr. Obama reside no facto de que, para mim, a vitória dele representa a vitória da Realidade. Escrevia Philip K. Dick “a Realidade é aquilo que por mais que tentemos não desaparece”. Bush foi produto da ignorância e desprecupação com o Real, isto é, o que é Realmente Importante (emprego, sustentabilidade) passou a ser ignorado, e os eleitores americanos acharam mais importante que o seu voto se destinasse a mandar na vida dos vizinhos, por exemplo, impedindo os casais homossexuais de se casar (algo que infelizmente, ainda continuou nos referendos locais que acompanharam estas Presidenciais), e outras preocupações absurdas com coisas que apenas dizem respeito à vida de cada um (já agora, não me alongando muito: o casamento entre homossexuais é a meu ver indiscutível - é um direito humano fundamental, não é uma questão nem política nem moral).

Ora, a tal Realidade voltou, e deu um potente soco na cara dos que queriam Capitalismo sem Realidade. Não havia outro final possível para a tragédia dos Anos Bush, que não fosse a eleição de um Pragmático esclarecido. Esperemos que as tendências mediatizadas por Obama não demorem a influenciar a Europa, e que essa Direita do Irreal (será que posso dizer ‘Capitalismo Utópico’? Ora toma!) das Manelas Leite-podre e das Sarahs Palin seja de vez erradicada da Vida e metida no lugar que merece, nos livros de História onde já pertencem os promotores da Grande Mentira (ou o Grande Esquema em Pirâmide), Ronald Reagan e Margaret Thatcher…

Vamos lá, mais uma vez:

Obama Presidente.

Presidente Obama.

Obama Presidente.

Presidente Obama…

* Fotografia (Joe Radle/Getty Images) retirada deste portfolio.

Tags: ed, politica, povos, sociedade, economia

Comentários

maria:
20.11.2008

ja a Nina Simone dizia...

"To be young, gifted and black, oh what a lovely precious dream!"


henrique:
06.11.2008

retiro o que disse..
depois de ler o comment anterior percebi

o Obama vai ter que lutar contra os Sopranos todos.

afinal a imgem faz sentido


Tiago Viegas:
05.11.2008

Desculpa-me mas não resisto a fazer um comentário, pois parece-me que esta euforia "Obamiana" nos está a deixar, a todos, um pouco mais alienados da tal realidade.

Algumas coisas que não nos podemos esquecer:

1- Obama é o presidente dos EUA.

2- Obama não é socialista. Muito menos de esquerda, mesmo essa que socrates apregoa....

3- Obama é no essencial, ideologicamente muito próximo de Bush, sublinho, no essencial. O mesmo sistema Economico, Financeiro, Social, Politica, etc...Um capitalista inteligente vs capitalista do mais burrinho que pode existir.

4- Não vai haver nenhuma revolução socialista nos EUA, por mais que nos tentem vender esse peixe nos media, Obama não é Allende, Chaves, Castro ou Lula da Silva... Feliz ou infelizmente dirás tu!

5- Obama não via acabar com os milhões de pobres e muito pobres que existem nos EUA. Para o fazer, nós, os mais pobres ficaríamos ainda pior... Sim, com Obama, vai continuar o "primeiro nós, aculturado os outros" e à força se necessário for.

6- Volto a repetir... Obama é o presidente dos EUA.

Por isto, e concerteza muito mais, não quero cair em euforias...
A minha realidade é esta...
Eu não dou vivas a Obama...
Cumprimentos
Tiago Viegas


Alex:
05.11.2008

Bom artigo. Concordo com tudo. Que venha um novo amanhã.


henrique:
05.11.2008

desculpem, estranha não, ridícula!


henrique:
05.11.2008

que put@ de foto mais estranha!


Senhor Palomar:
05.11.2008

O Senhor Palomar fechou a rádio depois das notícias e saboreou a palavra: O-ba-ma...

Às vezes, pensou, parece que o mundo é como deveria ser...

Nessa noite ressonou um verdadeiro sono dos justos!


henrique:
05.11.2008

Morra o Bush pim
morra a direita (e ja agora a esquerda radical)
morram os usurpadores deste mundo.

viva o obama! Viva!

PS bom artigo



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