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18.09.2008

Eduardo Morais

#19 · Com. ?

Aquele Querido Mês de Agosto

Por uma vez vou escrever sobre cinema com a intenção de tecer rasgados elogios. E ainda por cima, aquilo a que tenciono tecer rasgados elogios é um filme português. E não, não estarei a ser cínico. O filme chama-se Aquele Querido Mês de Agosto e foi realizado por Miguel Gomes.

Os mais antigos leitores do Cafeína, ou os meus amigos que me conhecem há mais tempo e tomam atenção a aquilo que digo (será que existem?), interrogar-se-ão: “Miguel Gomes!? Mas esse não era o gajo?…” Sim, o Miguel Gomes era um dos gajos na minha lista negra pessoal de realizadores portugueses, graças a curtas-metragens como Ménage-a-Trois na Quinta da Marinha (aliás, Entretanto) e Miúdos com Olhos Manga à Solta na Expo (aliás, Kalkitos), que na verdade continuam a ser objectos do meu mais profundo desprezo. Foi por isso que quando soube que vinha aí uma longa-metragem de Miguel Gomes, limitei-me a torcer o nariz. No entanto, eis que vejo o cartaz, que até tinha pinta. Depois vi o trailer, que até tinha bom aspecto. E um making-of, na RTP2, que achei interessante. Fiquei assim na situação desagradável de ter que ir ver o raio do filme para poder continuar a dizer mal.

E ainda bem que fui, mesmo dando a mão à palmatória: Aquele Querido Mês de Agosto é um bom filme, e aos meus olhos uma redenção em estilo para o Miguel Gomes. Sem ser revolucionário (olhando para a História do cinema), o filme faz mesmo assim um exercício raro: é um três-em-um que combina 1. uma historinha de amor ficcional, 2. um documentário sobre as festas de Agosto nas aldeias beirãs, e 3. o making-of de uma historinha de amor ficcional. É uma sopa de tudo, mas que tal como as sopas da avó da aldeia, consegue ser extremamente apetitosa (aliás, estou a salivar abundantemente enquanto escrevo) mesmo contendo todos os ingredientes do mundo.

Aquele Querido Mês de Agosto não é um filme perfeito.

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11.07.2008

Eduardo Morais

#10 · 1 com.

Passwords

”- Amigo, você vai para casa?”
”- Amigo, não vamos todos para casa?”

Estas são, a acreditar na introdução do mais recente livro de Douglas Coupland, The Gum Thief, uma senha e contra-senha em tempos utilizadas por membros da Maçonaria para se identificarem entre estranhos. Não consigo ainda compreender se serei ingénuo, se serei paranóico - provavelmente estarei em simultâneo no limiar de ambos os estados - mas ultimamente tenho-me apercebido do modo como o espaço alargado do cinema português* parece funcionar num registo de senhas e contra-senhas.

Falo em ‘espaço alargado’ porque é evidente que o ‘cinema português’ é um mundo muito mais vasto do que o conjunto de pessoas que realmente querem fazer ou trabalhar em filmes em Portugal. É que muitas das pessoas que neste país fazem filmes não os querem realmente fazer. Daí as pequenas catástrofes que é possível ver nos festivais de cinema, como por exemplo uma abominação de 25 minutos chamada “Fevereiro”**, de Francisco Botelho, a que alguns dos membros do Cafeína foram sujeitos em Vila do Conde na passada quarta-feira. Acredito sinceramente que há dois tipos de pessoas que fazem filmes em Portugal: as que querem fazer filmes, e as que querem simplesmente Aparecer. Ou seja, ou é pelo Trabalho, ou é pelo Ego. E por muita falta de jeito que haja, por pior que seja o resultado final, há coisas que são simplesmente impossíveis quando estamos nisto pelo Trabalho e existe Gosto no que fazemos. Neste caso, a incompetência era total na fotografia - aquilo a que chamo a “noite portuguesa” merecia um texto por si só -, na montagem, na direcção de actores - sei que a Ana Moreira é uma excelente actriz e até me senti de algum modo envergonhado por estar a ver o filme - e sobretudo no texto e no conceito - como disse o meu amigo Henrique “a apatia está aí, por todo o lado”, não é preciso querer ilustrar isto com uma historieta de alguém que se decide suicidar para fugir à polícia depois de ter roubado um automóvel - acreditem que é verdade.

Mas o que tem isto a ver com a história das senhas e contra-senhas?

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