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09.07.2008

Alexander Torres

#8 · 9 coms.

Mos Maiorum*

Em 31 a.C., Caio Júlio César Octaviano, com a ajuda imprescindível do seu hábil general, Agrippa, derrotou o seu colega de triunvirato Marco António e a monarca egípcia, Cleópatra VII, na Batalha de Áccio, pondo fim a uma guerra civil que se arrastara anos. Após 50 anos turbulentos, onde a res publica Romana viu a ascensão e queda de ditadores e triunviratos que subverteram e monopolizaram o poder, aguardava-se um regresso aos dias mais calmos da antiga República. E, para a maioria, foi isso que aparentemente sucedeu. Dois cônsules eram eleitos anualmente, o Senado reunia e decretava concelhos que se transformavam em lei, os barcos de trigo continuavam a atracar em Óstia para alimentar a plebe urbana de Roma, e, o mais importante, pôs-se fim a um ciclo de guerras civis que eclodiam desde o tempo de Mário e Sulla.

Mas havia uma grande diferença nesta nova encarnação do Governo do Império: a existência de um princeps civitas, o principal cidadão, na pessoa de Caio Júlio César Octaviano, que viria pouco depois a ser chamado, por decreto do Senado, Imperator César Augusto, conhecido por nós apenas como Augusto, o primeiro Imperador Romano. Na qualidade de primeiro cidadão, Augusto não dispunha de qualquer poder legislativo extraordinário como se poderia esperar quando pensamos em imperadores, exceptuando um comando fulcral: era chefe da quase totalidade do exército romano. Augusto exercia aquilo que em latim se designa auctoritas, que, apesar da sua semelhança com a palavra “autoridade”, é imbuído de um sentido sem paralelo em português. Exprime dignidade pessoal, carisma, feitos passados, capacidade de comando e mais. Através da sua auctoritas, Augusto tinha apenas de sugerir o que quisesse, e aqueles à sua volta tratavam de por em prática o que quer que isto fosse. “Ah, sabem o que era porreiro? Era aquele tipo ser cônsul.” Pumba, lá o tipo que Augusto propunha para cônsul era magicamente eleito.

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08.07.2008

Alexander Torres

#7 · Com. ?

Pássaro Imortal

Aqui no Cafeína, orgulhamo-nos da nossa polimatia, quais Da Vincis do Século XXI! Estamos aqui para privilegiar as massas com o nosso conhecimento vasto e variado!

Falando agora de forma menos jocosa, a diversidade deste espaço, na minha modesta opinião, sempre foi um ponto a seu favor, e gostaria de criar o hábito de dedicar alguns artigos a partilhar com os leitores alguns pensamentos soltos sobre assuntos de qual não sou perito, mas que acho suficientemente interessantes para deixar aqui como matéria de reflexão e até de debate.
E sem querer parecer presunçoso, quero também elucidar assuntos provavelmente pouco atraentes para o leitor casual. Talvez, neste e em futuros artigos, consiga estimular a vossa atenção para coisas que vos possa parecer chatas ou estúpidas. Mas avancemos para aquilo que vos proponho agora para ler.

Hoje em dia, a subida dos preços do combustível atinge quase todo o mundo dito “civilizado”, e um dos sectores mais afectados é da indústria das transportadoras aéreas. Os aviões são grandes, caros e mamam combustível como se não houvesse amanhã. Mas não tenhamos pena dos gajos: se os aviões se tivessem desenvolvido como os carros desde os anos 50, não tínhamos os sorvedouros voadores poluentes que nos enchem os céus actualmente. Os melhores e maiores avanços feitos na aeronáutica contam com cerca de cinquenta anos de existência, e poucos exemplos serão mais ilustrativos do que os feitos, até agora inigualados, do incrível Lockheed SR-71, o lendário “Pássaro Negro”.

Passado apenas pouco mais do que uma década após o fim da 2ª Guerra Mundial (e o consequente advento de aviões militares a jacto), começar-se-ia a concepção e construção daquilo que seria o aparelho voador a jacto mais veloz construído até hoje. Mas primeiro, vamos enquadrar um pouco mais este avanço.

O avião de reconhecimento americano Lockheed U-2 conseguia voar tão alto que se pensava ser inatingível por qualquer arma, seja míssil ou bala.

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