Gus Gus - Polydistortion (1997)
Diz a lenda que um grupo de islandeses que rodava uma curta-metragem decidiu elaborar uma banda sonora original. Tão boa foi esta banda sonora que aos músicos, vindos de diferentes 'backgrounds', foi oferecido um contrato com a 4AD. E assim nasceram os Gus Gus, diz a lenda. É inquestionável que em 1997 a Islândia estava no auge do 'hype'. Björk ainda não se tinha tornado numa tiazinha da pop, e gente como Damon Albarn e David Bowie apareciam volta e meia nas revistas a dizer que 'a Islândia é fixe'. Logo, tudo quanta era banda islandesa teve uma hipótese de brilhar. No meio de bandas como Llooq ou Bellatrix, que tiveram a sua oportunidade e foram à sua vida, os Gus Gus demonstraram ter algo mais. Este vasto grupo ecléctico de artistas, comandado pelos vocalistas Daniel Àgust e Háfdis Huld (esta que pouco depois da saída de Polydistortion abandonou a banda), demonstrou uma rara capacidade para combinar pop, batidas dançáveis, sons ácidos, numa mistura que é simultâneamente etérea e hedonista. Os três temas de abertura - Gun, Believe e Polyesterday - potentíssimos - fazem uma das mais fortes sequências que alguma vez encontrei num disco pop. Já em Why? temos uma balada terna em que quase somos embalados por Háfdis, em Is Jesus Your Pal? assistimos à irónica tendência pregadora que se revela no segundo álbum da banda, This Is Normal, e finalmente em Purple temos um grandioso momento de pura electrónica ambiental. A par com Debut, de Björk, Polydistortion é talvez a melhor coisa que já veio da Islândia. A meu ver, um dos grandes momentos dos anos 90. 5/5






