01.09.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 700

Sem conhecer outros trabalhos de Eric Rohmer, fiquei muito mal impressionado quando vi 'A Inglesa e o Duque', o anterior filme deste realizador supostamente muito importante na cinematografia europeia, pelo uso medíocre de técnicas digitais que só tornavam o filme incoerente e por uma narrativa que andava aos tombos. Daí, ter ido ver 'Agente Triplo' com as minhas reservas, procurando reforçar ou desmentir uma opinião que, disseram-me, não ficaria bem a um estudante de cinema com o meu estatuto.

Ora bem: confirmou-se. Embora não possa classificar 'Agente Triplo' como mau, não se trata de um bom filme que eu recomende. Mais uma vez temos uma perspectiva potencialmente interessante sobre um período histórico, a de um russo czarista exilado em Paris antes da Segunda Guerra Mundial, e que podia ser ou não ser espião para qualquer um dos lados que viria a estar em conflito. Embora desta vez tenhamos sido poupados à estética do CD-ROM multimédia com 10 anos - houve orçamento para uma reconstrução histórica mais séria -, temos novamente uma narrativa aos tombos e por vezes incompreensível (sintoma disto é o facto de o realizador ter incluído um epílogo em que explica algumas coisas e que sabe a 'deus ex machina'), e diálogos incrivelmente chatos - que não são diálogos de todo, mas sim longos discursos. E mais uma vez são os actores que tornam tudo um pouco mais suportável, graças aos seus bons desempenhos.



04.09.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 699

Quando o filme acaba lê-se no ecrã: "Sugerido pela obra 'I, Robot', de Isaac Asimov". "Sugerido" é de facto um belo eufemismo para um filme baseado apenas na contracapa da colectânea de vários contos sobre robots. Isaac Asimov daria voltas no túmulo se soubesse que o nome do seu livro estava a ser associado a um filme que tem uma perspectiva quase oposta. 'Eu, Robot', o filme, é a típica historinha "ai que os robots tornaram-se maus e querem conquistar o mundo". Eis que aparece o Will Smith armado de piadas foleiras e as suas Converse All-Star 'Vintage 2004' para nos salvar, isto ao volante de um Audi TT sem rodas, ouvindo música na sua 'antiga mas resistente' aparelhagem JVC. E aparece a fazer o típico papel de polícia renegado que depois diz "I told you so!". E aparece (sim, está sempre a apaecer porque é difícil de matar, o homem!) noutro Audi TT sem rodas e a queixar-se de que sujou as suas Converse All-Star 'vintage 2004' - 'Eu, Robot', tem tanta publicidade à descarada que envergonharia o James Bond.

Fora isto, temos uma história com pouco sentido, com o típico final espetacular estilo Jogos Sem Fronterias - porque não basta explodir com aquilo, é preciso injectar os nanobots na esfera positrónica que, coincidência das coincidências, está no cimo de um poço gigantesco cheio de coisinhas que piscam. Temos uma direcção artística totalmente desinspirada (compare-se com o futuro em 'Minority Report' ou 'Blade Runner' - a mãe de todos os futuros). Ou seja, não temos nada. Que raio deu ao Alex Proyas (que realizou 'O Corvo' e 'Dark City')?

A TVI que fique com isto para as tardes de domingo. Só não leva uma só bolinha porque até me ri à conta do 'product placement'. Só podia ser uma piada brilhante. Nota: 1/5



05.09.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 678

Todos já recebemos e-mails a publicitar aparelhos de aumentar o pénis, soluções milagrosas para a obesidade ou injecções de Botox (não soa a 'Ratax'?). Agora, pelo menos, podemos ver estas missivas transformadas num hilariante cartoon diário - Spamusement. Temos também vinte e seis terrores e a propósito recomendo o Syndicate of Super-Heroes, uma excelente paródia pelo mesmo autor dos Cafeínados. A melhor técnica para um actor fingir-se bêbado é agir com sobriedade excessiva: uma lista de truques de diversos ofícios. Leitura recomendada: os excelentes contos de Cory Doctorow, disponíveis gratuitamente para download, algures entre a ficção científica e o realismo mágico, a fazer lembrar os melhores momentos de Philip K. Dick. Clandestina, e-zine argentina com um design simples e despretencioso em que o conteúdo é o mais importante (por contraste a isto). Edifícios grandes, uma exposição realizada, obviamente, em Nova Iorque. Metacritic classifica os mais recentes filmes, discos e jogos calculando a média de toda uma série de críticas. O site possibilita ler as críticas que deram origem à nota final, e é interessante ver os padrões que surgem. Música: a Enough Records é uma editora portuguesa que tem todo o seu catálogo disponível em MP3. Finalmente, para todos os fans que já se deslocaram de propósito à IKEA de Lisboa (ao que parece há imensos): Eurobad '74, imagens totalmente inestéticas de catálogos de mobiliário de outros tempos bem menos minimalistas...



11.09.2004

Enviado por
getlost

# 679

Parece que foi ontem, mas foi exactamentre há 3 anos que, enquanto almoçavamos, assistíamos a aviões chocarem contra o World Trade Center em Nova Iorque e o Pentágono em Washington, a pessoas a atirarem-se pelas janelas, a pânico generalizado... na Palestina e no Iraque davam-se tiros para o ar nas ruas, e por todo o mundo chegavam aos EUA mensagens de apoio, e repudio pelos atentados... é, infelizmente, destes acontecimentos, que história da Humanidade se constrói...

Espero que não finjamos que nada aconteceu e que prestemos homenagem ás cerca de 3000 vítimas que morreram nos atentados de 11 de Setembro... porque se 15 pessoas mortas numa paragem de autocarro em Haifa é mau, se 600 mortos numa escola em Beslan é uma tragédia, que dizer de 3000 mortos em edificios civis em Nova Iorque e Washington...

Um palavra de conforto ao povo americano...



14.09.2004

Enviado por
leoglima

# 680

Você tem controle sobre sua vida? A gênese do vício desfila aos nossos olhos. O enfoque apaixonado do diretor pelos seus personagens e o amor que vemos que nutrem uns pelos outros, nos impedem de fazer julgamentos, nos permitem mergulhar nessa profunda investigação da dor, da vulnerabilidade e da busca pelo prazer.

O que faz de um vício pior do que o outro? O seu grau de destruição? Uns tomam café, outros cheiram cocaína, alguns atacam a geladeira. Muitos passam a tarde em frente à TV, outros dentro do cinema, outros dentro de algum templo religioso. Muitos lêem livros de auto-ajuda... Mas todos, esses indivíduos têm em comum a vulnerabilidade.

Ler o resto do artigo...



02.10.2004

Enviado por
CatsilkEnglar

# 681

Admito. Eu gosto muito de Saramago. Não é uma questão de patriotismo. Gosto e pronto! Agora, neste pais mediocre, este autor parece pertencer à casta dos maldito, dos mal-amados. Porquê? Hum...Dificil de responder. Admitamos que não se gosta da maneira como ele utiliza os sinais de pontução (onde apenas aboliu os dois pontos(:) e o sinal de travessão(-) nos diálogos, substituindo-os pela comum virgula). Argumento válido, mas não totalmente convincente, pois há muita bela pessoa que gosta de António Lobo Antunes (eu também gosto) e que não gosta de Saramago, apresentando o citado argumento. Ora, se a pontuação do Saramago parece estranha, o que dizer da do Lobo Antunes?

Ler o resto do artigo...



08.10.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 682

Há uns dias atrás a BBC Online lançou um desafio aos seus leitores: quais seriam as punições ideais para certos 'crimes' sociais? Encontraram-se propostas tais como condenar a passarem 24 horas algemadas grupos de pessoas que obstruissem o passeio, ou condenar a ter o desenho da roupa tatuado no corpo as pessoas que ousassem usar Burberry's. Concordo com estes dois castigos, mas julgo que a fúria justiceira pode ser levada mais longe. Seguem-se algumas ideias para este novo código penal, e como é óbvio, peço aos leitores que também deixem as suas propostas de lei...

Ler o resto do artigo...



15.10.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 698

Tal como em 'Colateral', temos aqui outro filme em que a forma é indiscutivelmente superior ao conteúdo. Novamente, excelente fotografia, um bom desempenho de Denzel Washington (embora o considere um daqueles actores irritantes que vivem da inexpressividade 90% do tempo). Novamente, um argumento que não é nada mais que uma variação da história de 'Comando' - raptaram-me a filha e vou matá-los a todos.

É preciso dizer, no entanto, que 20 anos volvidos sobre essa era dos 'shoot'em ups', a maioria do público e dos realizadores já não se satisfazem com filmes de acção e vingança tão lineares, sendo hoje os filmes feitos desse modo (leia-se tudo o que tem Steven Segal, Van Damme, etc.) considerados série B. Vai daí, Tony Scott e os argumentistas de 'Homem em Fúria' alteraram a história de base (a meu ver nada mais que o 'Comando' de Schwarzenegger) acrescentando datalhes, uma maior complexidade na narrativa e sobretudo maior profundidade às personagens. Há quem parta para a paródia e para a freakalhada (leia-se, Tarantino), há quem tente melhorar a fórmula, como é o caso.

E sabem que mais? Aqui até resulta. Através da realização, da montagem dinâmica, dos ambientes (uma Cidade do México verdadeiramente assutadora) e da profundidade dos personagens, temos aqui um bom exemplo da máxima 'a história não interessa, mas sim como é contada'. Só é pena que isto seja tão transparente neste filme. Nota: 4/5



16.10.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 697

O brasileiro Walter Salles realiza uma produção de grande nível - um 'road movie' sobre a viagem que o jovem Che Guevara fez pela América do Sul com um amigo, anos antes de se tornar o conhecido revolucionário. A realização é excelente, conseguindo transmitir os ambientes da América do Sul sem cair na tentação de mostrar postalinhos e folhetos turísticos, e é de salientar o olhar neutral sobre Che Guevara - não é de modo nenhum um filme glorificador, nem o inverso. Assistimos sim ao confronto do jovem Che e do seu amigo com a realidade e as misérias da América do Sul, mas também nos debatemos, tal com os personagens do filme, com os métodos necessários para introduzir a mudança.

Uma bela produção multinacional: realizador brasileiro, produção anglo-americana, actores de diversos países ibero-americanos. Há muita gente que deveria olhar para isto com atenção. Nota: 5/5



28.10.2004

NiceGuyEddieEduardo Morais

# 685

O facto de eu ser estudante de cinema (e neste momento finalista) costuma passar relativamente despercebido aqui no Cafeína, ao contrário do que acontece no meu weblog onde costumo maçar os leitores com comparativos de tecnologias vídeo ou longas descrições de rodagens em película. No entanto, há que mostrar trabalho aqui, justificar as minhas longas ausências da escrita. Daí, este sábado pelas 16h no Cineteatro Municipal de Ovar, os habitantes da região Porto-Aveiro podem assistir à sessão dedicada ao Prémio Juventude do festival Ovarvídeo, onde irá passar o meu mini-documentário O Zero. Nesse mesmo dia pelas 9:30 da noite, os habitantes das regiões de Lisboa e Sul do Tejo podem assitir ao mesmo mini-documentário integrado na 'mostra de video-arte' Intervenção 04, que se irá realizar no Cineteatro de Corroios, e que será seguida de um concerto com Mão Morta e Ölga. A mesma mostra terá também uma sessão na sexta-feira seguida de um concerto de X-Wife, daí a minha recomendação ir sem dúvida para a sessão de Sábado...

Nota (actualizada): Confirmada está a projecção da minha curta-metragem de ficção Por Vezes Somos Felizes, integrada numa sessão de filmes de vários alunos da ESAP, também esta sábado nos antigos armazéns da Real Companhia Velha, junto às 'docas' de V.N. de Gaia, a partir das 14h. Eu estarei em Ovar portanto gostaria de receber feedback em relação às duas outras projecções.



Entre Agosto de 2000 e o seu encerramento em Julho de 2005 o Cafeína foi um dos mais populares weblogs portugueses.

Podes consultar todos os artigos aqui colocados durante essa época. Consulta também o Volume 2 (2008-2009).

Por data:

Por membro do staff:






Houve um momento em que experimentámos publicar uma fanzine, fotocopiada como deve ser.

Podem ler e fazer o download de versões PDF (que não fazem justiça à xunguice da impressão):

Número Zero
Agosto de 2001

Desespero Celular;
Menos Bófia;
O Engate do Lado.

Número 1
Início de 2002

Não me Grite!
O Automóvel é uma Droga;
Nós Pimba!

Número 2
Final de 2002

Porrada;
Notícias Lá de Cima;
Dupla Personalidade






Uma produção Eduardo Morais / Asseptic.org
Todos os artigos são da inteira responsabilidade dos respectivos autores.
© 2000 - 2009