Procrastinar
Procrastinar: Deixar para depois o que podia fazer agora. Deixar para amanhã o que podia fazer hoje. Ou já agora para a próxima semana. Ou para quando for oportuno. Ou seja, protelar, coçar os tomates, coçar o escroto, coçar a micose.
A Procrastinação é tramada, não admira que a Preguiça seja um pecado mortal. Arranja sempre uma desculpa:
Vou só acabar de ver isto que comecei ainda agora a ver na televisão. Vou é buscar um iogurte ao frigorífico. Vou só espreitar o mail. E já que estou online, o Cafeína. E o outro lado do espelho. E os meus feeds. E ainda, se a mulher da minha vida não estará entre os ‘recommended friends’ do Facebook.
Pronto. Vou trabalhar. É cuspir qualquer coisa para o Twitter e estarei pronto.
Trinta segundos depois:
Lá está a besta do vizinho a bater com a porta da rua e a falar alto nos corredores. A rua está pavimentada a ‘paralelo’, ouvem-se muito os carros. O computador faz barulho. Vou é pôr música.
Descubro que muitos dos álbuns na minha biblioteca de música não têm capa. Sinto uma necessidade imensa de corrigir este problema.
Duas horas depois:
Tenho que escrever isto no Twitter. Bem já agora deixa ir ao Facebook. E ao Cafeína. Pois é, falo muito mas devia saber algo mais sobre o John Coltrane. Wikipedia.
Quatro horas depois:
Vou definitivamente trabalhar. Maldita procrastinação! Que, pensando bem, é a mãe de todas as invenções. O tipo que inventou a fotocopiadora perdeu várias décadas da sua vida a tentar não ter que copiar coisas à mão.
Olha, boa frase. Vou é escrever no Cafeína. O trabalho pode ficar para a seguir.
Depois dos Simpsons, do jantar, e do Bruno Aleixo…

